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blog de Escritor: Edson Fernando


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Aproveitando as imensas facilidades do mundo on line e, também, aproveitando o imenso conteúdo que tenho de material escrito, resolvi transcrever uns livros on line.
É um projeto longo, acho que vai levar um tempo, mas as semente foram lançadas. E ora, os frutos, os frutos serão os mais variados possíveis, como agregar novos leitores e aumentar a minha visibilidade,além de proporcionar um pouco de diversão e cultura gratuitamente a todos vocês.Espero que gostem!

Boa Leitura, Leitores Amigos.

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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Do Barro Ao Sarro



DO BARRO AO SARRO
Nas Vias dos Desvios

INTRODUÇÃO
Não fazemos uso da refutação quando dissentimos a respeito dos princípios, dos próprios conceitos e formas da demonstração” (BACON, 1973, p. 26).

Este artigo foi originalmente pensado a partir de uma frase do Programa do Jô de 23 de Julho de 2015 (exibido e produzido pela Rede Globo), onde foi dito no programa especial Meninas do Jôuma semelhante frase a esta: os políticos são feitos de outro tipo de barro (2015).
A isto se referiam que o Collor (Fernando Collor de Mello, o mesmo do Impeachment no início dos anos 90, no Brasil) teve três carros superesportivos, modelos milionários, apreendidos e que havia dívida tributária dos automóveis (altíssimas), que não tinham sido pagas; isto é, além dos carros serem supostamente comprados com verbas ilícitas, ainda por cima, os IPVAs, e demais impostos não haviam sido recolhidos. Ou seja, isto indica como se políticos nem tivessem que pagar imposto, ou que fossem de outra categoria de pessoas. Como se fossem feitos de outro material e substância. Sobre este caso específico, deste parágrafo, o processo e os andamentos das investigações ainda tramitam nos órgãos competentes.
A inspiração (motivo) para este artigo veio disto: de buscar as raízes filosóficas e epistemológicas a respeito da questão envolvida. A questão, a saber, é: Existem homens que são feitos de outro Barro? Questão que se desenrola ao se remontar às origens do que hoje é tido como pensamento moderno: sejam as vias de fato (de Bacon), ou a Estatística (de Petty), entre outras ciências e filosofias (Kant e Nietzsche); se desenrola, ainda, com o raciocínio lógico pós-kantiano que surge após as ponderações acerca do comportamento e das afirmações que os políticos brasileiros vêm adotando desde a plena majoração da Constituição Federal de 1988 (CF 88).
Infelizmente, os políticos brasileiros acham mesmo que eles são, de fato, especiais, e que podem fazer tudo, e do jeito que querem (como e quando querem, e, principalmente, se quiserem; e se eles quiserem, ninguém os impedi), esta é a sensação pública que eles passam aos seus eleitores e / ou aliados.   
A metodologia adotada no presente artigo é a revisão de literatura de autores fundamentais da filosofia (nos últimos 500 anos) e da economia (da corrente atualmente aceita como clássica, almejando explicar como foi chegado até este ponto estrutural, cultural, do neoclassicismo ou do contemporâneo), sobre os países colonizados, especificamente Brasil; ao saber sobre os autores BACON (autor mais antigo), PETTY, KANT e HEIMANN (autor mais atual); além de suporte de outros livros / autores, como a Bíblia Sagrada e NIETZSCHE. Além de técnicas de raciocínios e de filosofia, como demonstração empírica, reprodução de experimento, silogismos e outros raciocínios lógicos, etc. Isto para que se desenvolva a teoria do Barro & do Sarro que é apresentada neste artigo.
O Objetivo, além de responder a pergunta principal, também inclui uma análise fundamentalista destes (quase) 500 anos de filosofia de BACON até aos autores mais atuais; óbvio, focando-se na ótica do desenvolvimento econômico e filosófico, nas atuações políticas e nas posturas do homem no mundo (principalmente – especificamente - sobre a ótica do povo e dos políticos brasileiros), comojá mencionado.
O texto está estruturado da seguinte maneira:
Capítulo 1: Do Pó ao Pó – capítulo que se divide em 5 subcapítulos (com explicações e definições), a saber: As riquezas, o homem, o porvir, o natural e o homem natural. Neste capítulo, é explicado sobre o que vem a ser humanidade, a natureza, os bens e as posses, o futuro, e etc; são as teorias e as posições iniciais do texto.
Capítulo 2Novus Lutum – que se divide em Novum Lutum Organus (Nova Organização do Barro – já, Novus Organicum Lutum, significa “Novo Barro Orgânico”; ou, simplesmente, Novus Lutum, que é Novo Barro, ou Novam, todos termos em latim); e os 4 Idola (4 ídolos); onde se supõe que esta é a estrutura (adaptada, clara) por detrás das pessoas, dos governos, das organizações, e das empresas; em geral, pós século XX, isto ainda é comum: onde, mesmo com filosofias mais atuais já aceitas pela comunidade internacional, outras, mais antigas, continuam a ser utilizadas em alguns lugares (não que umas sejam melhores do que outras, elas servem apenas a momentos distintos; o significado que o texto quer dizer com isto é de “anacronismo filosófico”). A estrutura mencionada é informação voltada à governança e a filosofia orientada à organização ideal.
Há de se notar a importante contribuição de Sirs BACON e PETTY ainda neste capítulo, de modo enfático; com, Bacon com a descoberta e aplicação das vias de fato, com a verdadeira interpretação da natureza (coisa que, exceto os sofistas, não tinham obtido tanto sucesso, antes de Bacon); e, a evolução natural deste raciocínio com PETTY (1983), com a invenção da Estatística (Aritmética Política), isto é: exprimir-se com números, pesos e medidas, usando apenas argumentos comprováveis, e que se baseiam em causas que podem ser analisadas e não em especulações que se baseiam apenas em paixões mutáveis dos homens (PETTY, 1983). Invenção, esta, a fim de que servisse de ferramenta para a economia macro global dos domínios da Inglaterra para auxiliar na resolução de seus problemas, problema que, a nosso ver, começou a surgir após as colonizações americanas, principalmente; além da problemática mercantilista das importações e produções próprias, e etc. Esta é uma temática muito abrangente; mas vamos nos ater aos pontos de maiores (e de fundamentais) importâncias para que possa se entender o que acontece metodologicamente e culturalmente (& mentalmente), no Brasil – o foco deste artigo é se os políticos (brasileiros) são feitos de outro barro;
Assim, são importantes os estudos nas fontes dos grandes sábios do passado, para que assim, melhor se entenda para onde estamos indo em nosso futuro, com os caminhos trilhados no nosso presente. A teoria do capitulo 2 (como todo o texto, exceção das referências citadas), de sobremaneira a teoria subentendida no 2° capítulo é original e elaborada pelo autor.
Capítulo 3: Sarro – capítulo que se divide em dois subcapítulos: O ser Político; e, Zombar, Escarniar e Errar; que falam sobre aquilo que de fato deve ser o ser político e sua contraparte, os Erros ou os Escárnios.
Capítulo 4: Correntes Filosóficas – onde será apresentado um tanto mais sobre as filosofias e os autores vistos neste estudo.
E por fim, as Conclusões sobre esta pesquisa. Onde se observa a evolução natural do pensamento e da ciência, principalmente a partir do século XX, e das proliferações dos estudos EAD, por exemplo; evolução esta que nem sempre é acompanhada de perto por toda a população; onde, alguns vivem de fato a era contemporânea do saber e da ciência, enquanto que alguns ainda insistem em tentar perpetuar mentalidades (e filosofias) mais antiquadas, e comprovadamente já refutadas, ao qual são consideradas ultrapassadas, ou equivocadas, inclusive.
E agora, as explicações do título e subtítulo. Do Barro ao Sarro. O Barro é toda a humanidade, todas as nossas vicissitudes, os defeitos, (e principalmente) & as virtudes e qualidades humanas; os defeitos, por já fazerem parte do barro, nem contam tanto neste contexto – BARRO -, mas, quando se encontram as qualidades no Barro (como tolerância, compartilhamento despretensioso, resignação, etc), isto sim é louvável e admirável; uma vez que se espera que de determinadas fonte e circunstâncias, principalmente as fontes e os poços do barro, saiam algum tipo de refugo ou determinada coisa escusa. O Barro ou o Pó são a essência da humanidade, de aonde todos provieram. O sarro é a zombaria, as instâncias superiores que vivem abissalmente atoladas em conceitos, e estruturalmente são, meramente,  voltadas às ações de cunho técnicos e procedimentais, isto significa: as câmaras dos vereadores, as assembleias, os congressos, os palácios e etc, isto do lado dos Governos; do lado das pessoas, temos as altas cúpulas administrativas, os altos artistas (talvez senão são talentosos, certamente são muito ricos e poderosos), além dos presidentes de empresas, dos conselhos administrativos, os sindicatos, etc e etc. O sarro remete à sátira e a pseudo - sabedoria, ou seja, sofismas (em maus sentidos), e jogos de manipulação e poder; mas isto já não é explicado nos ídolos do foro? Não, uma vez que lá diz apenas da ignorância causada pelo espírito da associação mútua e interesseira, ao passo que aqui, temos a postura padrão dos políticos (ao menos os brasileiros); seja em nível de ser um político modelo para as futuras gerações (muito raro, mas que existe, sim) tanto quanto seja isto em nível de exemplo a não ser seguido, com modelos de políticas equivocadas e corrompidas. O sarro diz ainda sobre os humanos, tal como os de barro, mas políticos; que fazem leis, ou são os donos do capital, que mandam e desmandam; enfim, diz que certas situações tendem a zombaria, uma vez que nem sempre se observa atentamente a autoridade que a pessoa dona / política diz possuir tem ou ser. E Nas Vias dos Desvios, são os caminhos de erros; que parecem que alguns insistem em tomar e prosseguir com estes equívocos todos, ou seja, se se tem conhecimento e informação, e mecanismos de se fazer o correto, o errado é praticado, hoje em dia, principalmente, por quem deseje assim ser & fazer.
Deseja-se que este estudo possa ajudar todos aqueles interessados no tema, a terem uma base sólida para partirem para pesquisas mais pró-profundas sobre a evolução cronológica e de abordagem acerca de questões tão fundamentais como impostos, teorias, projetos, posturas políticas, atuações como homem no mundo (fenomenologia), entre outros.
Ao buscar em livros antiquíssimos, mais antigos até dos que os títulos citados neste artigo, remontam-se às ideias pessimistas e as de certas ações de cupidezes, de que a maldade é mais admirada no homem do que a bondade 2. Sobre isto,um outro longo artigo, certamente poderia ser escrito, de modo que cabendo a parte devida a este outro sub assunto no presente texto, atemo-nos a informar que a maldade não é mais vistosa ou mais intensa do que a bondade, apenas, geralmente, os maus se riem, exibem e se comprazem de suas maldades; enquanto os bons, a seu turno, fazem seus estudos e trabalhos quietos, sem incomodar ninguém, e por vezes, não fazem alardes de suas boas obras; mas tenha certeza: quando todo o trabalho / processo necessário estiver pronto (seguindo a risca, devidamente, o seu tempo de maturação), começará a dar seus frutos, sejam os frutos dos bons ou os frutos do mal.


1. DO PÓ AO PÓ
A nossa primeira questão seria: é pó ou Barro?
O homem foi feito de pó, da areia, da terra, mas como havia passado nuvem recentemente que se precipitara, supõe-se que a terra estava úmida, então o homem é de pó e de barro, e de ar 1. O rigor Bíblico nos diz que é pó, “o pó da terra”, mas ora, se o versículo anterior dizia da nuvem que densa, deságua; então, uma licença poética nos permite dizer que sim, algumas terras deveriam estar mais molhadas que outras, e algumas areias deveriam ser mais barros do que pó.
Isto indica que da terra viemos e à terra retornaremos, todos somos iguais, não há distinção alguma entre nós, exceto de teor filosófico, físico e comportamental, etc. Tirada as máscaras dos Idola, desveladas as correntes e as técnicas filosóficas por detrás dos dogmas e dos preceitos; explorada toda a abrangência das palavras de teu interlocutor, analisada a retórica – sobra ainda, algum material que antes já não tenhamos aprendido, ou que, com um pouco de empenho, não poderíamos ter aprendido?
Oportunamente, pretende-se responder a pergunta acima exposta, além das seguintes perguntas: Quem é ti? Quem é o outro? O que somos nós? O que é o mundo? E sobre isto é que se ocupa este capítulo.

1.1. As Riquezas
As Facetas Da Riqueza (8 formas sintéticas da riqueza)[adaptado do Livro do Filósofo de NIETZSCHE, em adaptação pelo autor do presente artigo]:
Riqueza ecológica: diz do meio ambiente como um todo, sobressaindo-se em suas exuberâncias naturais. É a riqueza das matas virgens, cada vez mais raras e lendárias, porque as civilizações humanas costumam transformar a riqueza ecológica, que vive e cresce abundantemente, em riqueza financeira; e nesse processo, além de gerar riqueza econômica, acaba por depreciar exponencialmente a riqueza ecológica.
Riqueza sustentável: diz da riqueza da integração entre o homem e a natureza, a exploração consciente das riquezas ecológicas de modo que o meio ambiente não seja exponencialmente depreciado. Ter condições de implantar 100% a sustentabilidade em uma localidade é algo que deveria melhor ser aproveitado pelos atuais políticos (entidades empresariais).
Riqueza financeira: diz-se da riqueza de uma operação financeira ou de um processo operacional ou de produção qualquer que traz retornos financeiros. Toda operação financeira (ou não) tem um risco, assim, a riqueza financeira é muito flutuante, e muito instável, por isto, geralmente, o mais indicado é reinvestir a riqueza financeira ou mesmo deixá-la imobilizada, na riqueza econômica (resultado consolidado). Antagonicamente, quando dos que não obtiveram a riqueza financeira, diz-se que eles tiveram um fracasso na vida.
Riqueza econômica: diz-se da riqueza consolidada de um país, uma região, uma família, uma empresa. São os frutos de um bom investimento (ou o arcar das consequências de maus planejamentos ou grandes intempéries). É a riqueza acumulada, ou, antagonicamente, em sua falta, é prejuízo acarretado ao longo de gerações.
Riqueza biológica: diz aqui mais da saúde, do bem estar, do vigor, da disposição, do humor, da alegria, da vocação para a felicidade do corpo, etc. Diz-se também, da boa qualidade genética de uma nação ou ração, em desuso no século XXI. E etc.
Riqueza intelectual: A Riqueza dos filósofos, a riqueza dos sábios, dos matemáticos, dos grandes contabilistas, dos engenheiros, dos cientistas. A riqueza dos livros.
Riqueza espiritual: a riqueza dos santos, dos enviados do Plano Mais Alto a nós aqui nesta Terra, para que nós sejamos Superados, ou não; Os Últimos dos Filósofos ou não, sejamos Humanos, Demasiados Humanos ou Não. É a riqueza que transcende tudo e é dada a quem já obteve certamente está evolução em outros Planos, e por vezes, vem a Terra, demonstrar-nos como devemos proceder. Uma riqueza cada vez mais rara, inclusive. Note que esta riqueza nada tem a ver com as riquezas financeiras ou econômicas; mas, a perda das riquezas naturais (riquezas Ecológica, Sustentável e Cultural) pode, sim, estar ligada à perda das riquezas Espirituais.
Riqueza cultural: riquezas de Ofícios (Artistas, Médicos, Arquitetos, Capoeiristas, Oradores, MCs, das crianças, dos idosos, dos proletariados, dos burgueses, enfim), ou riqueza de uma localizada em específico ou ainda, riqueza de um grupo específico de pessoas, sem praticar algum ofício específico (por exemplo, torcedores de futebol, clubbers, etc).

Há um importante paradoxo a ser mencionado aqui: Onde menos é mais, e quem é de fora tem a mesma possibilidade de quem é de dentro. Estes são conceitos místicos, mas dizem que há quem não se preocupe, em, por exemplo, acumular bens financeiros ou econômicos, e nestes casos particulares, não ter pode significar tanto quanto ter, senão materialmente, ao menos metafisicamente e de modo transcendental. São as provas do pouco, e a recompensa daqueles que foram humilhados e que esperam ser exaltados, segundo as palavras de JESUS.

1.2. O Homem
O Homem é um ser que transforma o meio ambiente em que vive, ele usa matérias-primas para construir produtos, para comercializá-los; e mais ainda: os homens criam as ferramentas e as ferramentas recriam os homens” (Marshall MCLUHAN).Para isto, a fim de fazer atualizações, para trazer o progresso e a ciência. Mas nem só de progressos e ciências vivem os homens, há desastres, há catástrofes, guerras, e interesses escusos que só fazem piorar as relações entre os homens em sociedade.
Apesar de todos os homens serem iguais, eles ainda têm diferenças de pensamentos, de culturas, de riquezas, de dons, de habilidades, de aptidões físicas, etc et al.
Os homens ainda usam de meandros falsários, como lábias, manipulações, jogos de poder e corrupções para conseguir atingirem seus objetivos em comum. Os homens têm capacidades iguais, mas como as usam de formas disformes, cada um vai aprimorando aquilo a que mais se ocupa, e dando menos prioridade ao que não se ocupa muito (e isto é obvio: um halterofilista irá ser muito forte e terá um corpo robusto, ao passo que alguém dedicado às letras e a filosofia poderá não ter muitos músculos braçais, mas certamente terá uma rapidez e uma sagacidade mental de notadas possibilidades e aplicações), isto causa as especialidades e os super-humanos.
Deve-se notar ainda que homem é um ser racional em um corpo físico, perecível e frágil, que para continuar vivo necessita de inúmeros fatores e condições: como alimentação, descanso, lazer, trabalho / estudo, etc. Assumiremos que o homem criou ou convive com a filosofia 3.

1.3. O Porvir
“Entretanto, todos haviam saído um após outro, e se encontravam ao ar livre no seio da noite fresca e de silêncios; e Zaratustra pegou na mão do mais feio dos homens, para lhe mostrar o seu mundo noturno [...] E Zaratustra pensava de novo consigo: Óh, como me agradam agora estes homens superiores! – mas nada lhes disse, porque lhes respeitava a felicidade e o silêncio. [...] O Mais Feio dos Homens começou por derradeira vez a se resfolegar e, quando conseguiu falar, saiu-lhe dos lábios uma pergunta profunda e clara que agitou o coração de todos quanto a ouviram.
‘Meus amigos, todos aqui presentes’ – disse o mais feio dos homens – ‘que vos pareceis? Graças a este dia, estou pela primeira vez satisfeito de ter vivido a vida inteira’. E ainda não me basta fazer tal declaração. Vale a pena viver na terra: um dia e uma festa em companhia de Zaratustra me ensinaram a amar a terra. ‘Era isso a vida?’ Direi a morte. ‘Pois bem, repita-se!’ Meus amigos, que vos parece? Não quereis dizer à morte, como era: ‘Era isso a vida?’? Graças a Zaratustra: ‘Pois bem, Repita-se’” (NIETZSCHE, 2010, p. 260).

Nietzsche propagou a doutrina do Eterno Retorno, onde as coisas voltam em níveis maiores ou menores ao que são hoje, em parâmetros muitos semelhantes aos que eram como antes. Isto é óbvio, segundo Will Durant, em realidades em que haja um número limitado de possibilidades (como as notas musicais, por exemplo), haverá um tempo em que todas as possibilidades irão se esgotar e deverá haver repetições (onde as melodias tendem a se assemelhar). Isto ainda tem haver com certos ditados místicos, que dizem que se algo acontece uma vez, pode não acontecer duas vezes, mas se acontece duas vezes, pois bem, então, há uma grande chance disto acontecer uma terceira vez, e etc.
Há quem chame o Porvir, ainda, de ciclos de reencarnação, de Dança Cósmica, de Karma & Dharma, de Leis de Causas e Efeitos; dizem ainda, das teorias que surgiram desde antes ainda da codificação espírita de Allan Kardec, que não há justiça alguma em se viver apenas uma vez, onde, aquilo que foi feito em uma vida, geralmente, vai ser pago em outra vida, seja isto positivamente, ou negativamente. E sobre o bom e o mal, é aquela velha discussão, não existe o bom pra um ou pra outro, o bom é coletivamente e o mal o é coletivamente.
O Porvir são as coisas do futuro, os avanços, de tal modo que são as coisas do passado, como velhos hábitos (mesmo que modificados) como os almoços de domingo, as piadas, etc. O homem se modifica, e se supera, mas ainda continua a executar velhos hábitos culturais, sociais, e etc, e isto remonta tanto ao lado carnal, de genes e de predisposições físicas, quanto do lado espiritual, como as provas, expiações e resignações. E mentalmente, ainda se relaciona com os pensamentos de outras eras.
Há ainda, quem chame o porvir, de a lei de Deus; e outros, chamam de Caos, Entropia, Destino, etc.

1.4.  Natural
São as coisas que compõem as riquezas Biológicas e Ecológicas, além de serem todas as outras coisas inerentes àquilo que é da Terra. Grupo (Reinos e Forças) Natural:
·        A Terra: a maior parte da vida é em virtude do trabalho na terra, sem a terra, não há vida humana; nela estão os minerais, os metais preciosos, os pastos, as lavouras, os pomares, as florestas de extração legal, e, até as cidades (ironia, óbvio) estão encravadas na terra; a fazenda e o feudo são a terra dos seus donos, etc (até mesmo para viver no espaço, os homens precisam antes ter criado suas bases e aeronaves com os materiais e tecnologias da terra);
·        A Água: água doce, salgada, congelada, em evaporação e da transpiração dos animais, a água é fundamental à vida; apesar da extensão territorial da Terra ter mais de 67% de água na superfície do planeta, o planeta é chamado de Terra, provavelmente em função da vida na terra; mas deve-se mencionar que a vida em si começa na água, inclusive no líquido vital que envolve os bebês durante a gravidez, e mais, nas primeiras formas de vida conhecida, as formas de vida aquáticas;
·        O Ar: O sopro da vida, o ciclo dos ventos, a pressão pneumática, o semear dos ventos; aquele que modela desertos e carrega as mensagens instantâneas pelas ondas de sinal de internet móvel que circulam pelo ambiente, etc;
·        O Fogo: Vulcão, Magna, Lava, Os Movimentos das Placas tectônicas; as armas fogos, as explosões, as reações nucleares; o fogo tem uma associação com metais e com outros elementos químicos que podem causar grandes impactos, quase sempre, descontroláveis;
·        Os Animais: a fauna, os animais vertebrados, os mamíferos, as aves; inclusive animais extintos como dinossauros e outros; (Conceito Alegórico: quando o homem tomou conhecimento do fruto proibido do jardim do Éden, ele deixou de falar abertamente com os animais, deixou de ser inocente e imortal, e por isso, passou a ter ciência das coisas, enquanto poderia inclusive adoecer e morrer; com isto, ele deixou de ser um animal inconsciente de si – INSTINTO -, e passou a fazer parte da consciência da HUMANIDADE);
·        As Plantas: a flora - as matas nativas, ou as plantas “domésticas” ou “civilizadas”, incluem todas as espécies vegetais, as que nos alimentam e as que carregam toxinas graves;
·        Os Fungos e Outros: Os cogumelos, as bactérias, os seres vivos moleculares, os vírus, os plânctons, e demais seres vivos não enquadrados nos outros grupos.
·        Os Sentimentos: Diferentemente do Lógos, que provêm da filosofia e do Homem (ou do Espírito, segundo afirmam filósofos de inclinações mais místicas), o Pàthos, o sentimento, provêm das cousas naturais: os sentimentos são diversos e dinâmicos (isto é, alteram-se de um a outro, se não o tratar de acordo com algumas expectativas ou realizações) – dor & prazer, amor & ódio, sexo & castidade, união (amizade) & desunião (inimizade), fome & sede, frio & calor, sono & energia, disposição & tédio, etc.

1.5. O Homem Natural: Tentativa, Fracasso e Acerto.
O Homem, ministro e interprete da natureza, faz e entende tanto quanto constata, pela observação dos fatos ou pelo trabalho da mente, sobre a ordem da natureza; não sabe nem pode mais. [...] Assim como os instrumentos mecânicos regulam e ampliam os movimentos das mãos, os da mente aguçam o intelecto e o toma precavido. Ciência e poder do homem coincidem, uma vez que, sendo a causa ignorada, frustra-se o efeito. Pois a natureza não se vence, se não quando lhe obedece. E, o que, à contemplação, apresenta-se como causa, é a regra na prática” (BACON, 1973, p. 19).

Impressionante a sintonia que o autor Francis Bacon demonstra com a cultura indígena, e que hoje vem a ser conhecida como práticas sustentáveis. BACON foi um dos primeiros autores a voltar-se para o equilíbrio das Forças da Natureza (e do Grupo dela) desde os Sofistas. Como o autor citado afirma “todos aqueles que ousaram proclamar a natureza como assuntos exauridos para o conhecimento, por convicção, por vezo professoral ou por ostentação, infligiram grande dano tanto à filosofia quanto às ciências” (BACON, 1973, p. 11), há todo um modo com que devemos filosofar sobre a Natureza. Ela tem as regras, não nós. Vezo Professoral é um vício, um hábito pernicioso que tende a atrapalhar e confundir o ato do professar, ou a afirmação. Bacon ainda segue com suas explicações sobre a compreensão das coisas:

Mas os que se voltaram para caminhos opostos e asseveraram que nenhum saber é absolutamente seguro, venham suas opiniões de antigos sofistas, da indecisão dos seus espíritos ou, ainda, de mente saturada de doutrinas, alegaram para isso razões dignas de respeito. [...] Não obstante, mesmo aqueles, estribados apenas no fluxo natural do intelecto, não empregaram qualquer espécie de regra, tudo abandonado à aspereza da meditação e ao errático e perpétuo revolver da mente” (BACON, 1973, p. 11).

Talvez, simplesmente talvez (especulação), este tenha sido um dos motes primordiais da Fenomenologia (o estar no mundo, como fenômeno físico, mental e social). De qualquer forma, BACON afirma que ao lidar com os assuntos naturais, não devemos ter outra postura senão de observadores passivos, pois toda mudança que causamos para a Natureza, ela também corresponde igualmente para nós. Quando se alagam florestas, ou cidades pequenas e campos para a construção de represas de hidrelétricas, não está apenas alterando a vida dos seres que circundam aquela região e muito menos apenas contribuindo para o aumento na oferta de energia, tida como limpa e renovável; está, também, alterando os fluxos de rios; alterando todos os demais   eventos causados pelos fluxos dos ventos, que também se alteram desta forma, e inclusive, a temperatura do ambiente é alterada assim, sem citarmos as plantas, que são muito afetadas nos processos também, afetando as plantas e árvores, se afeta os pássaros, etc. E claro, afeta-se assim os ciclos das chuvas, das cheias (enchentes) e das secas.
O Homem Natural respeita a natureza em 1° Lugar, porque a Gaia é o maior ser vivo do planeta, e Gaia é o planeta. Se não respeitarmos o planeta ele não irá nos respeitar, em contraparte. Isto é um dos motes básicos do homem natural: amar e respeitar a natureza, do mesmo modo como a natureza nos ama e respeita. Os índios viviam assim, mesmo as tribos mais violentas, veneravam as forças da natureza exatamente como divindades, e elementos fundamentais da (à) vida.
Os ritos da chuva e da fartura indicam a preocupação dos indígenas com os ciclos planetários. Para a falta de chuva ou se a terra estivesse com dificuldades em produzir bons e duradouros alimentos, eles entravam em transe, meditavam, pediam, e por fim, quando da época das farturas, eles agradeciam e comemoravam, por saber que sem a cooperação da natureza nos bons tratos da terra, não se produz, não se colhe nada; e sem colheita não há vida. Antagonicamente, os que praticam os maus tratos as coisas da terra, por vezes nem preocupação ambiental têm. O homem civilizado (não-natural, não ético, não político) primeiro devasta e exauri tudo do meio ambiente e depois se preocupa em recuperar, isto quando é possível agir de modo corretivo; porém, mesmo com os bons tratos na terra dos indígenas, a natureza adentrava em ciclos de seca ou de precariedade alimentar, se mesmo com bons tratos os ciclos naturais têm a fartura e a escassez, o que dirá então que virá com consequências dos péssimos tratos na terra?
O homem natural tenta viver sem ter que depredar e consumir a todo instante o planeta. Pode nem sempre acertar, mas ele tenta, e se errar tentará novamente, até acertar.


2. BARRO (Novus Lutum)

2.1. Novum Lutum Organus
Novam ou Novus Lutum é o Novo Barro. Este título vem inspirado no Livro de Bacon Novum Organum, que institui a Vias de Regra (vias de fato) da observação filosófica da natureza, um contato com os antigos filósofos sofistas, mas sem a pretensão de hipnotizar e entorpecer com as visões que surgiam destas reflexões. A repercussão da obra de Bacon é tremendamente impressionante, haja em vista as profundas transformações que seu método já propunha deste àquela época. Sobre BACON e PETTY, é importante mencionar que na época deles os livros eram direcionados aos reis, governantes e poderosos, e assim, é oportuno mencionar: Bacon volta-se mais a um saber recluído nas altas câmaras administrativas dos países / governos; enquanto que Petty tinha esta mesma preocupação, mas acredita que um bem maior comum poderia ser conseguido com a filosofia e os estudos. Assim, tais pensamentos começam a anunciar a saída da era das trevas da idade medieval, e entrar naquilo que hoje conhecemos como sistemas políticos e econômicos.
Novum Lutum Organus é a nova organização do barro, são as novas estruturas da atuação política, monárquica e empresarial, com base em BACON. São os dados, ao serviço do bem comum ou de objetivos específicos (e orientados a determinadas funções), com base em PETTY.
Todavia, o presente texto não pretende se delongar com extensas citações sobre as profundas alterações de postura e mentalidade propostas pelo livro Novum Organum (exceção sobre os 4 Idola), por considerar que este livro fora mesmo um motivo importante de transformações política e humana social / filosófica; mudança que vem sendo construída deste então. No Brasil, a obra de Bacon só foi traduzida integralmente em 1963.
Mas sim, iremos partir para neste subcapítulo, tratar da criação da Estatística e da Political Arithmetick, no ano de 1690 (Aritmética Política de Sir William Petty), que serviram para criar as bases necessárias para que se desenvolvessem os complexos sistemas de análises e planejamento das nações.

Os homens que se encontram numa condição de decadência ou que têm opinião negativa a respeito de seus próprios interesses, em vez de serem (como alguns pensam) mais industriosos para resistirem aos males que temem, tornam-se ao contrário, mais lânguidos e ineficazes em todos os seus empreendimentos; sem se darem ao trabalho de tentar ou de levar a cabo mesmo os meios mais prováveis de remoção desses males. Considerando isto, eu, como membro da comunidade [...] (e próximo da verdade sobre o bem comum) [...], tendo a examinar com cuidado qualquer coisa que tendesse a diminuir minha esperança no bem-estar comum” (PETTY, 1983, p. 109).

Se Bacon propôs que se analisasse a natureza com a observação e nas vias dos fatos, Petty em busca de seu bem comum acabou por descobrir a Estatística, como bem mostra na explicação do método do Livro / Artigo, no Prefácio, na metodologia e na maneira de argumentar do autor.

O método que adotei para fazê-lo ainda não é muito costumeiro; ao invés de usar apenas palavras comparativas e superlativas e argumentos intelectuais, tratei de (como exemplo da aritmética política que há tempos é meu fito) exprimir-me em termos de número, peso e medida; de usar apenas argumentos baseados nos sentidos e de considerar somente as causas que têm fundamento visível na natureza [...]. Declaro-me realmente incapaz de discorrer de modo satisfatório sobre assuntos (se assim podem ser chamados) como predizer o resultado de um jogo de dados ou jogar bem tênis, bilhar ou boliche (sem prática prolongada), recorrendo às concepções extremamente elaboradas que têm sido escritas sobre projéteis e mísseis ou sobre os ângulos de incidências e reflexão” (PETTY, 1983, p. 111).

PETTY pretendia dizer que ele fazia uso de dados, números e fórmulas para situar determinadas probabilidades de acontecimentos, mas que isto não deveria ser usado para toda e qualquer coisa, como poderiam desejar alguns. E sobre isto, conclui o prefácio de seu livro Aritmética Política “Observações ou posições expressas em número, peso e medida, sobre as quais me apoio meu discurso, ou são verdadeiras, ou são aparentemente falsas; e se não forem verdadeiras de maneira certa e evidente poderão sê-lo pelo poder soberano, Naum id certum est quod certum reddi potest [Pois é certo aquilo que se pode converter em certo]” (PETTY, 1983, p. 111).
Assim se entende que aquilo que fora começado e abandonado (mesmo) nos Sofistas; e que Bacon revisou e adequou aos padrões do Homem Medieval; Petty, já na escola dos mercantilistas (os comércios entre os reinos, países, usando das visões do iluminismo, ou da razão, do pensamento racional) e defensores das teorias livres das influências das paixões humanas (ou Idola); acabou que Petty regulou sobre se utilizar de dados, procedimentos e análises aritméticas para dar suporte de defesa a suas argumentações (e observações & deduções) lógicas. Isto hoje é a Estatística, e é exatamente assim, com adaptações e evolução (óbvio): é aquilo que os Governos fazem para projetarem e implantarem seus projetos nacionais, estaduais, etc, a fim de alcançarem determinado resultado, tendo em vista algum tipo de motivo político-social / tributário, etc.
Novam é uma boa ferramenta, é aquilo que pode estar até errado, como um cálculo errado ou um erro fatal na execução da conta, por exemplo, mas esta técnica permite que se corrijam erros e os retifique; todavia, para isto é necessário ter boa disposição e bom interesse de quem aplica e executa estes cálculos, por isto é um novo barro, ainda somos homens, mas agora, analisamos metodologicamente nossas nações, as matas, as economias e etc.
PETTY faz dez conclusões (Capítulos do livro “Aritmética Política”), as quais se destacam estas três (Capítulo II, VIII eIX – citações em fragmentos), como seguem:
·        Capítulo II: Que alguns tipos de impostos e tributos cobrados à população podem aumentar, ao invés de diminuir, a riqueza comum.
Nesta conclusão, PETTY afirma que o imposto deve ser cobrado, porque ele engrandece e enriquece a nação; todavia, PETTY já avisa para o problema dos investimentos e do descontrole dos gastos, diz ainda sobre a diversidade de investimentos, com produtos perecíveis e não perecíveis, entre outros temas. Deve-se notar que na época de PETTY, o trabalho não era destinado aos nobres, mas apenas aos menos afortunados financeiramente, assim, a questão do trabalho passava pelas massas e pelas pessoas mais humildes, apenas (exceção de exércitos, cargos públicos e etc). Destaque ainda para o enfoque que PETTY confere a temática tida hoje como social, da assistência aos menos favorecidos ou em situação de risco; além das demais análises que o citado autor faz.
Se o dinheiro e as outras posses, tributados ao povo sob a forma de impostos, fossem destruídos, está claro que esses impostos diminuiriam a riqueza da nação. [...] Porém, se aquilo que é cobrado como tributo só é transferido das mãos de uns para as de outros, então, só temos que nos preocupar com se esse dinheiro ou esses bens são tirados das mãos de quem os faria aumentar e entregue às mãos de quem cuidaria mal deles, ou vice e versa. [...] Se o dinheiro, porém, for gasto em mobílias e habitações, a vantagem será ainda um pouco maior, e se for à construção de habitações, ainda mais; e se for gasto no que beneficiam as terras, de exploração de minas, da pesca, etc., mais ainda; mas a maior vantagem virá com a aplicação do dinheiro para trazer ouro e prata para o país. Essas coisas não só são não perecíveis, como também, são consideradas como riquezas sempre e em qualquer parte, enquanto que os outros bens que são perecíveis, ou cujo valor depende de moda, ou que são escassos e abundantes dependendo da contingência, constituem riqueza, mas pro hic et nunc [aqui e agora], como está dito em toda parte. Além de que, se o povo de um país, não sendo plenamente empregado, for ordenado ou obrigado por meio da cobrança de impostos a produzir mercadorias antes importadas do exterior, digo que este imposto também favorece a nação” (PETTY, 1983, p. 127).

“ Há pessoas que vivem de mendigar, de trapacear; do roubo, do jogo, do empréstimo sem intenção de pagar, e que dessa maneira tiram dos crédulos e descuidados mais do que o suficiente para sua subsistência; digo que  apesar do Estado não ter no momento uma ocupação para essas pessoas, sendo consequentemente forçado a suportar toda a carga de sua subsistência, mesmo assim estaria mais de acordo  om o interesse público de dar a todas essas pessoas uma pensão regular e adequada; subsidiada pelos impostos cobrados à população, do que permitir que gastem de forma extravagante, unicamente a expensas das pessoas descuidadas, crédulas e de boa fé. [...] Ao contrário, se o patrimônio dos homens laboriosos e engenhosos que estão não só embelezando o país onde moram graças a elegantes dietas, vestimentas, mobílias, habitações, agradáveis jardins, pomares e edifícios públicos, e etc; como também estão aumentando o ouro, a prata e as armas, digo, se o capital destes homens fosse diminuído por um imposto, e transferido para aqueles que nada fazem a não ser comer, beber, cantar, divertir-se e dançar; ou para aqueles que estudam a metafísica ou outra forma de especulação ociosa; ou que se dedicam a qualquer outra coisa que não produza coisas materiais ou de valor real e uso para a nação, nesse caso, a riqueza da população seria diminuída [...] Assim, para bem apreciar se um imposto será benéfico ou maléfico, é preciso conhecer bem a situação da população e sua ocupação, isto é, saber que parcela da população não pode trabalhar, por estar ainda na infância, por ser incapaz, e também, que parcela está isenta do trabalho por motivo de riqueza, função ou dignidade, ou por motivo de cargo que ocupe, governando, dirigindo e preservando aqueles que se destinam ao trabalho e às artes.
2. A seguir, é preciso calcular entre os que estão capacitados para o trabalho e as artes, como foi dito antes, que parcela está capacitada a desempenhar o trabalho da nação em seu presente estado e situação ”(PETTY, 1983, p. 128).

·        Capítulo VIIIQue há braços ociosos em quantidade suficiente entre os súditos da coroa inglesa para proporcionar dois milhões por ano a mais do que ela aufere atualmente, e que há empregos – prontos, adequados e suficientes – para este propósito.

“ Para provar esta afirmação, temos que perguntar quanto todas as pessoas poderiam ganhar se estivessem dispostas a trabalhar ou necessitadas de fazê-lo e se tivessem onde colocarem-se; em seguida, devemos comparar esta soma com o total de despesas [...] deduzindo os alugueis e lucros propiciados por suas terras e seu capital, os quais de fato, economizaram mão de obra. Ora, o rendimento destas terras e desse capital representa cerca de 3/7 do total de despesas, de forma que sendo despesas de 70 milhões, a renda da terra e o lucro de todos os bens imóveis, juro sobre o dinheiro e etc., têm que ser cerca de 30 milhões. Consequentemente, o valor da mão de obra é de 40 milhões, isto é, 4 libras per capita (PETTY, 1983, p. 153).

“ Ora, se houvesse braços ociosos para produzir um lucro excedente de dois milhões, eles nada significariam a menos que houvesse emprego para eles; poderiam então dedicar-se apenas a seu prazer e especulações e trabalhar sem propósito algum Portanto a questão mais importante é provar que há trabalho no valor de 2 milhões a ser feito que os súditos do rei presentemente negligenciem. [...] Deve-se calcular isto e mais[...] (1) quanto de dinheiro é pago pelos súditos do rei da Inglaterra, aos estrangeiros, por fretes marítimos; (2) quanto os holandeses ganham com a pesca em nossos mares; (3) qual o valor de todas as mercadorias importadas pela Inglaterra e aqui consumidas, que poderiam, mediante diligência ser produzidas e manufaturas das aqui. [...] Afirmo que eles chegam a mais de cinco milhões, enquanto eu proponho apenas 2 milhões ” (PETTY, 1983, p. 154).


·        Capítulo IXQue os súditos do Rei da Inglaterra têm capital suficiente para impulsionar todo o mundo comercial.
“ Desde a feliz restauração de Sua Majestade, julgou-se conveniente recolher e recunhar o dinheiro que fora emitido nos tempos da usurpação. [...] Pelo consenso geral dos tesouros o referido dinheiro (bastante misturado com o antigo) representava 1/7 do total existente; [...] recolhido o dinheiro somava 800 mil libras, todo o dinheiro existente chegava a 5,6 milhões de libras. [...] Todo o dinheiro circulante na Inglaterra somava então cerca de 6 milhões de libras, quantia que eu julgo suficiente para movimentar o comércio da Inglaterra, não duvidando que o resto dos domínios de Sua Majestade tenha meios comparáveis para fazer o mesmo” (PETTY, 1983, p. 155).

É óbvio que a filosofia de PETTY tem seus erros e alguns pontos que o autor sequer ponderou; todavia, não se pode esquecer-se da precariedade da condição mental que o homem comum vivia da Idade Média ou na época do Iluminismo, a razão era desejada; mas, os avanços intelectuais mesmos, só começaram a partir do século XIX com a filosofia de Arthur Schopenhauer, NIETZSCHE e demais filósofos modernos (Sartre, Wittgenstein, etc). Economicamente, conceitos como preços flutuantes, e, economias livres de influência significativa de governos, entre outros conceitos, foram substituindo, ideias como as do mercantilismo, do capitalismo desenfreado, e etc. Atualmente, há muitos sistemas; destaque para os mais avançados que são os sistemas sustentáveis, de economia limpa e renovável, que utiliza-se de complexos sistemas de controle (como o BSC, Balance Scorecard System) para conseguir atingir as metas das empresas; Governos também usam metas ambiciosas de redução de emissão de gás carbono, e também se utilizam de sistemas para mensurar seus fracassos e acertos.

2.2. Os 4 Idola
Tal como se considera lógico que o raciocínio demostrado por BACON para interpretar as coisas da natureza, é apropriado e plausível e que este pensamento não só foi levado em consideração por PETTY, como também, esse último autor acrescentou maior habilidade de comprovação (e comparabilidade e demonstração) às observações das vias de fato; de modo a as agregar números à argumentação filosófica / prosaica, e disto, surgiram às ciências da Estatística e da Aritmética Política. Considera lógica a evolução das pesquisas que compõem este trabalho. Tudo foi criado: Céu, atmosfera, natureza, homem, sistemas, homem natural; e estas coisas foram explicadas, a princípio.
Os sistemas se alteram; e, sobre isto também se fala neste texto; mas não só sistemas que se corrigem e que visam buscar equilíbrios e ordem natural habitam na filosofia; há que se tomar cuidado, há erros que se disfarçam de elegância, ou sabedoria; tal pensamento é observado nos 4 ídolos de Bacon:

São de 4 gêneros os ídolos que bloqueia a mente humana [...]Idola Tribus (ídolos da tribo), IdolaSpecus (da caverna), Idola Fori (do foro) e Idola Theatri (ídolos do teatro). A formação de noções e axiomas pela verdadeira indução é, sem dúvida, o remédio apropriado para afastar e repelir os ídolos. Será, contudo, de grande préstimo indicar no que consistem, posto que a doutrina dos ídolos tenha a ver com a interpretação da natureza o mesmo que a doutrina dos elencos sofísticos tem com a dialética vulgar.OS ÍDOLOS DA TRIBO estão fundados na própria natureza humana, na própria tribo ou espécie. É falsa a asserção de que os sentidos do homem são a medida das coisas. Muito ao contrário, todas as percepções, tanto dos sentidos quanto da mente, guardam analogia com a natureza humana e não com o universo. O intelecto humano é semelhante a um espelho que reflete desigualmente os raios das coisas, e dessa forma, as distorce e corrompe” (BACON, 1973, p. 27).

ÍDOLOS DA CAVERNA são os dos homens enquanto indivíduos. Pois cada um tem uma caverna ou uma cova que intercepta e corrompe a luz da natureza: seja devido à natureza própria e singular de cada um; seja pela educação ou diálogo com outros; seja pela leitura dos livros ou pela autoridade daqueles que se respeitam; seja pela diferença de impressões; de tal forma que o espírito humano é coisa vária, sujeita a múltiplas perturbações, e até certo ponto sujeita ao acaso. Por isso, bem proclamou Heráclito 4 que os homens buscam em seus pequenos mundos e não no mundo grande ou universal” (BACON, 1973, p. 27-28).

Há também os ídolos provenientes [...] do intercurso e da associação recíproca dos indivíduos do gênero humano, OS ÍDOLOS DO FORO devido ao comércio e consórcio [...]. Os homens se associam graças ao discurso (sermones), e as palavras são cunhadas pelo vulgo. E as palavras, impostas de maneira imprópria ou inepta, bloqueiam espantosamente o intelecto. Nem as definições, nem as explicações, com que os homens doutos se munem e se defendem, em certos domínios, restituem as coisas ao seu lugar. Ao contrário, as palavras forçam o intelecto e o perturbam por completo. E os homens são, assim, arrastados a inúmeras e inúteis controvérsias e fantasias” (BACON, 1973, p. 28).

Pela ordem, de cima para baixo, a 1° tribo é a do instinto, do sangue: a 2° tribo é do individualismo, do ego e da psique; a 3° tribo é a dos adeptos das falácias coletivas, das enganações que passam por bons negócios. Sobre este terceiro grupo: até mesmo os doutos e suas linguagens doxas por demais, incluem-se neste grupo dos 4 Ídolos que mais segregam do que contribuem para o avanço tecnológico e filosófico; isto é, com a linguagem rebuscada, a alta performancee complexidade de testes e relatórios de pesquisas, com estas coisas e outras mais, fazem com que se tornem (em parte populosamente extensa – e sem acessarem muitas pessoas - e prolongada demais a arquivos específicos – sem serem imediatamente conhecida após desenvolvida), tornem o trabalho da ciência, renegado quase que exclusivamente aos meios acadêmicos, ou a outros doutores e mestres, apenas; onde o avanço quase sempre não é partilhado com a sociedade espontaneamente. Ainda, mesmo doutos, estão idolatrando o foro e não apenas a ciência, se estes cuidados não forem tomados. Cuidados estes em agir, trabalhar, consumir, pensar, etc, visando sempre compreender o que é humano, o que é além-homem (homem superado), o que é celestial, da natureza, entre muitos outros aspectos. O 4° ídolo, a seguir, é sobre as quimeras, as ilusões, e fantasias etc; e depois, maiores explicações sobre os ídolos & o intelecto.
Há, por fim os ídolos que imigraram para o espírito dos homens por meio das diversas doutrinas filosóficas e também pelas regras viciosas da demonstração. São os ÍDOLOS DO TEATRO: por parecer que as filosofias adotadas ou inventadas são outras tantas fábulas, produzidas e representadas, que figuram mundos fictícios e teatrais” (BACON, 1973, p. 28).

O INTELECTO humano, mercê de suas peculiares propriedades, facilmente supõe maior ordem e regularidade nas coisas do que de fato nelas realmente se encontram. [...] O intelecto humano, quando assente em uma convicção (ou por já vem aceita e acreditada ou porque o agrada), tudo arrasta para seu apoio e acordo. E ainda que em maior número, não observa as forças das instâncias contrárias, despreza-as, ou recorrendo a distinções, põe-nas de parte e rejeita, não sem grande e pernicioso prejuízo. Graças a isso, a autoridade daquelas primeiras afirmações permanece inviolada. [...] Mais ainda: mesmo não estando presentes essa complacência e falta de fundamento a que nos referimos o intelecto humano tem o erro peculiar e perpétuo de mais se mover e exercitar pelos eventos afirmativos que pelos negativos, quando deveria rigorosa e sistematicamente atentar para ambos [...]: na constituição de todo axioma verdadeiro, têm mais força as instâncias negativas 2. O intelecto humano se deixa abalar no mais alto grau pelas coisas que súbita e simultaneamente se apresentam e ferem a mente e ao mesmo tempo costumar tomar e inflar a imaginação.[...] O intelecto humano se agita sempre, não se pode deter ou repousar, sempre procura ir adiante. Mas sem resultado. Daí ser impensável, inconcebível que haja um limite extremo e último ao mundo. Antes, sempre ocorre como necessária a existência de algo mais além. [...] Buscando o que está mais além acaba por retroceder ao que está mais próximo, seja, às causas finais, que claramente deriva da natureza do homem e não do universo. Aí está uma fonte que por mil maneiras concorre para a corrupção da filosofia.[...] O intelecto humano não é luz pura (lumen siccum), pois recebe influência da vontade e dos afetos, donde se pode gerar a ciência que se quer. O homem se inclina a ter por verdade o que prefere. Em vista disto rejeita as dificuldades [...], a sobriedade [...], os princípios supremos da natureza [...], a luz da experiência [...], evitando parecer se ocupar de coisas vis e efêmeras; paradoxos por respeito à opinião do vulgo. [...] O sentimento se insinua e afeta o intelecto  (BACON, 1973, p. 29-31).

Na verdade os sentidos, por si mesmos, são algo débil e enganador, nem mesmo os instrumentos destinados a ampliá-los e aguça-los são de grande valia. E toda verdadeira interpretação da natureza se cumpre com instâncias e experimentos oportunos e adequados, onde os sentidos julgam somente o experimento e o experimento julga a natureza e a própria coisa. [...] O que deve ser, sobretudo, considerado é a matéria, os seus esquematismos, os meta-esquematismos, o ato puro, e a lei do ato, que é o movimento. [...] Tais são os ídolos a que chamamos de ÍDOLOS DA TRIBO, que têm origem na uniformidade da substância espiritual do homem, ou nos seus preconceitos, ou bem nas suas limitações, ou na sua contínua instabilidade; [...]os ÍDOLOS DA CAVERNA têm origem na peculiar constituição da alma e do corpo de cada um; e também na educação, no hábito ou em eventos fortuitos” (BACON, 1973, p. 32).

Os ÍDOLOS DO FORO são de todos os mais perturbadores: insinuam-se no intelecto graças ao pacto de palavras e de nomes. [...] Sucede também que as palavras volvem e refletem suas forças sobre o intelecto, o que torna a filosofia e a ciência sofísticas e inativas. As palavras, tomando quase sempre o sentido que lhes inculta o vulgo seguem a linha de divisão das coisas que são mais potentes ao intelecto vulgar. Contudo, quando o intelecto mais agudo e a observação mais diligente querem transferir essas linhas para que coincidam mais adequadamente com a natureza, as palavras se opõem. [...] Por sua vez, os ÍDOLOS DO TEATRO não são inatos, nem se insinuam às ocultas no intelecto, mas foram abertamente incutidos e recebidos por meio das fábulas dos sistemas e das pervertidas leis de demonstração. [...] Os ídolos do teatro, ou das teorias, são numerosos, e podem ser, e certamente o serão, ainda em muito maior número.[...] Pois, do mesmo modo que se podem formular muitas teorias do céu a partir dos fenômenos celestes; igualmente, com mais razão, sobre os fenômenos de que se ocupa a filosofia se pode fundar e constituir muitos dogmas. E acontece com as fábulas deste teatro o mesmo que no teatro dos poetas. As narrações feitas para a cena são mais ordenadas e elegantes e aprazem mais que as verdadeiras narrações tomadas da história” (BACON, 1973, p. 34-37).

A filosofia do Novum Organum trouxe muitas esperanças de renovação de mentalidades, e promessas do fim do colapso intelectual que se viveu nas idades médias europeias. A filosofia por detrás dos 4 ídolos é o tema central de destaque deste artigo, da filosofia de BACON; onde até nos dias de hoje, é muito comum inconveniências e idolatrias ou sistemas estranhos passarem por verdades e “sistemas de salvações” de muitos. Que alívio sugere-se ao saber que preocupações sobre falas, pensamentos e posturas, não são de agora, mas sim nos remete a muito antes, e de modo confortável, mesmo nas adversidades. De Petty, o destaque é para a metodologia que ele propôs de usar: as contas e os dados a serviços de medidas (ações e programas) do governo; destaque, ainda, para o tratamento contábil muito moderno para a época dele, inclusive fazendo uso primitivo, mas cabível, de rudimentares ferramentas de gestão gerencial.
A conclusão do Barro, é que enquanto os livros não eram direcionados as massas, mas sim aos governantes e nobres, o conhecimento, poderia até ser mais segregatício e voltado aos ricos e jamais aos pobres; porém, eles tinham um compromisso com aquilo que os escritores / filósofos consideram suas verdades, sem a preocupação com vendagens ou aceitação, apesar de que o rei, ou o governador deveria apreciar o livro pra que seu autor não fosse enforcado, ou queimado vivo, por exemplo. Nestes moldes, ficam muito difíceis de fazer comparações sobre os escritores que escrevem pra determinados públicos e os que escrevem para todos (e como afirma Nietzsche) e para ninguém. Assim, se o conhecimento foi proliferado e liberado, a quais conteúdos as pessoas tem acesso? O que as intriga? E o que jamais vão se interessar?
Um dos motivos, que se acredita, que o SARRO VULGAR, unicamente a equivoca-se e negligenciar-se, tenha tanta força, é que como as pessoas poucos se instruem e não desejam saber nada além de seus Ídola e seus prazeres; ocorre que os políticos de menor qualidade também muito pouco se preocupam com a GOVERNANÇA que eles estão oferecendo aos seus eleitores, e as suas nações; e deste modo, o que adianta viver em eras de sabedoria e informação, se as pessoas não se interessam pela sabedoria, a ética e a instrução sincera?
É por isso que devem ter medidas do poder público em atenção às carências intelectuais da população a fim de que o conhecimento possa ser mais bem aproveitado por todos; e, afinal, isto é de interesse dos políticos próprios, pois afinal, quem deseja ser eleito com os votos dos vulgares e que não apresentam credibilidade ou domínio algum sobre as atualizações sociais? No mais, simplesmente, todas estas coisas para poder saber se reconhecer quando tem-se, à sua frente, uma verdadeira filosofia, política que pode render bons frutos, ou se se trata apenas de uma das quatro formas dos Idola, seja do Teatro ou seja o ídolo do foro, por exemplo.
Se as massas não sabem a quem os políticos defendem, certamente os doutos e mestres sabem e contaram estas coisas todas em seus futuros livros; e mais uma vez, o tempo dirá quem está mais próximo da verdade, e quem está (dela) bem afastado.


3. SARRO
Gostas das burras e dos figos frescos, e não és exigente com a comida. Um caldo te satisfaz as entranhas quando tens fome. Nisso reside à sabedoria de um Deus. E o burro zurrava: I. A.” (NIETZSCHE, 2010, p. 257).

3.1. O Ser Político
As Atitudes políticas têm repercussão nos mercados econômicos e vice e versa. Os que hoje conhecemos por legisladores, juízes, empresários, diplomatas, diretores internacionais, e etc, já foram os que antigamente conhecíamos como governadores, imperadores, reis, cavaleiros, nobres, e etc (respeitando as dividas proporções, obviamente, apenas a título de analogias). O mundo mudou e algumas coisas nem cabem mais aqui, e outras, foram banidas de uma vez por todas.
Mas algo não mudou: o poder, o saber e as tecnologias. Antigamente, os livros se destinavam a reis e governantes, para que servissem de argumentos e ajudassem a explicar as mudanças a que estes livros se serviam (ou se propunham a servir). Hoje, a informação está proliferada, mas muitos não sabem o que fazer com ela.
O ser político é aquele que tem o poder de alterar a vida de significativa parte da população de um território, apenas com suas atitudes e documentos (leis, etc); mudar a vida das pessoas de distintos modos; de modo positivo, se acertados em suas decisões, ou alterar de modo pernicioso à vida das pessoas, isto se os políticos agirem de modo negligente ou equivocadamente. Mas como saber o que é certo e errado? O que é melhor ou pior? O que é a liberdade e o que são as escolhas?
Mas a liberdade também é a única entre todas as ideias da razão especulativa de cuja possibilidadesabemos a priori, sem, contudo, ter perspiciência (em alemão, ‘ohme sie doch einzusehen’; diz de um termo empregado por Cícero, a ‘perspiciência’, em latim, e que significa prudência e sabedoria) dela, porque ela é condição da lei moral <wissen>, que conhecemos. As ideias de Deus e de imortalidade, contudo, não são condições da lei moral mas somente condições do objeto necessário de uma vontade determinável por essa lei, isto é, do uso meramente prático de nossa razão pura; [...]. Apesar disto, elas são as condições da aplicação da vontade moralmente determinada a seu objetivo, que lhe foi dado a priori (sumo bem). [...] Para a última exigência basta, de um ponto de vista prático, que ela não contenha nenhum impossibilidade interna (ou seja, nenhuma contradição)” (KANT, 2015, p. 34).

Ou seja, o bem é bem em qualquer lugar, tempo e situação. Até este ponto; após as preposições de BACON, com a observação e o experimento da medida das coisas naturais até o alcance do saber humano, não pretendendo elevá-lo ao saber celestial; e as preposições de PETTY a fiz de demonstrar as coisas com os dados e as análises destes mesmos experimentos, para comprovar acerto e erro; foi-se focado na descoberta do homem de novas formas de pensar e agir no meio natural e social. Mas apenas estas ideias (estas filosofias de BACON e PETTY), não são suficientes para explicar o que aconteceu ao mundo depois (e á partir) do século XIX, e por isto, recorreremos a KANT.
A realidade objetiva de uma vontade pura ou, o que é a mesma coisa, de uma razão prática pura, é dada a priori na lei moral como que mediante um factum: pois é assim que se pode denominar uma determinação da vontade que é inevitável, embora não dependa de princípios empíricos. No conceito de vontade, porém, já está contido o conceito de causalidade, por conseguinte, no de uma vontade pura o conceito de uma causalidade com liberdade, isto é, não determinável segundo leis da natureza, consequentemente incapaz de uma intuição empírica como prova de sua realidade; todavia justifica perfeitamente, na lei prática pura a priori, a sua realidade objetiva, porém (como se pode facilmente vê-lo), não para o fim do uso teórico e sim do uso prático da razão ” (KANT, 2015, p. 88).

KANT afirma que sim, as vias de fato e as estatística (por exemplo), ou o empirismo e a dialética (outro exemplo), são sistemas filosóficos confiáveis, mas eles se propõem a estudar e investigar aquilo a que se destinam, ou seja, eles não são universais; assim para cada nova ciência ou nova descoberta, novos métodos, novos pesos, medidas e funções aritméticas deveriam ser desenvolvidos; claro, sito e abrangido, senão em todas, mas ao menos para as áreas do saber mais recente e que podem causar confusão ao serem explicadas às massas (Kant diz, inclusive, que as tarefas mentais não podem ser mensuradas como as tarefas dos pés por exemplo, em que se define, vá do ponto A e B, e se calcula o tempo que a pessoa leva de ir de A para B) ; e mais, conceitos como liberdade, imortalidade e Deus, para Kant, são a priori de qualquer experimento, ou seja, são premissas fundamentais as quais não se pode alterar sem causar grande estrago filosófico e social.

A contemplação do mundo começou do mais grandioso espetáculo que só os sentidos humanos podem oferecer e que só o nosso entendimento (causalidade), em sua vasta abrangência pode sempre suportar prosseguir, e terminou – na astrologia. A moral começou na mais nobre propriedade da natureza humana, cujo desenvolvimento e cultura voltam-se a uma utilidade infinita, e terminou – no fanatismo ou na superstição. Assim se passa com todas as tentativas ainda rudes, nas quais as partes mais nobres do ofício depende do uso da razão, que não se verifica por si mesmo, como o uso dos pés, pelo exercício frequente, principalmente se ele concerne a propriedades que não podem apresentar-se tão imediatamente na experiência comum” (KANT, 2015, p. 192).

Kant aproveita para pôr as coisas em seu devido lugar, e assim, ele define aquilo que até hoje são consideradas os fundamentos dos sistemas filosóficos, além de ter esclarecido muitos séculos de confusão lógica, metafísica, ética e social de seus colegas escritores / filósofos. Toda a obra de KANT, principal as Críticas da Razão Pura e Prática e da Faculdade do Juízo. Com conceitos com a priori (premissas fundamentais e comprováveis por si mesmas) e experimentos práticos, além de deduções puramente lógicas; Kant pode por fim definir como deveriam ser pautados os novos trabalhos relacionados à compreensão e análise da natureza; os trabalhos dos corpos celestes, da lógica etc, e apurou ainda sobre a questão da metafísica e a desnecessidade de se utilizar sistemas e teorias para comprovação de experimentos que não se demonstram de modo empírico. Sobre isto, ainda, KANT, avisava sobre os equívocos que se ocorrem ao tentar se explicar novos ramos de atuação e pesquisas, para aqueles que não terão como compreendê-los. Fez a importante distinção entre a razão pura e a razão prática (empírica, transmissível, cultural).
Zaratustra, de NIETZSCHE, um livro para todos e para ninguém, supõe-se como o livro da transposição de todos os valores morais, e, por conseguinte, a transposição (evolução, redistribuição) de todos os valores humanos, políticos, existenciais e fenômenos-logos.
Haverá alguém, no fim do século XIX, que tenha um conceito daquilo que os poetas das grandes épocas chamavam de inspiração? Por pequeno que seja o restante de superstição que permanece em nós, seria difícil afastar a ideia de que somos apenas a encarnação, o porta-voz, os médiuns de potências superiores. O conceito de ‘revelação’ no sentido que, improvisadamente, com segurança e finura indivisíveis alguma coisa se torne visível e audível – alguma coisa que agita e se subverte profundamente – é a simples expressão da verdade. Sente-se não procura; toma-se não se indaga quem dá; como um relâmpago, reluz súbito um pensamento, necessariamente assim sem hesitação na forma; eu nunca tive necessidade de fazer uma escolha. É um encantamento durante o qual a enorme tensão do ânimo sente às vezes o alívio de uma torrente de lágrimas em nossos passos passados, involuntariamente, ora se apressam, ora se retardam; [...] Tudo isso sucede de fato independentemente da nossa vontade, quase um torvelinho dos sentimentos de liberdade, de independência, de potestade, de divindade” (NIETZSCHE, 2000, p. 97 - 98).

É assim que o homem político deve agir: seguindo a lei Moral Transcendental do que vai ser bom, sempre, não das tendências daquilo que é interessante hoje, mas não o serão mais amanhã. Esta é a postura, é a dignidade eu se exige de pessoas políticas bem intencionadas, que arquem com as responsabilidades que seus sistemas filosóficos acarretam.
Há que se concordar que há um instinto, um sentido, uma razão, uma verdade social por trás das boas atitudes políticas;muito diferentemente de atitudes visadas apenas para se perpetuar (mesmo que coxo, e totalmente cego, mesmo que aleijado) no poder a qualquer custo, e ao final do mandato (no Balanço de Avaliação do PIB e IDH da nação) descobrir apenas que o país ficou mais pobre, mais desigual, menos inteligente, e mais sem-instrução ao final destes ciclos torpes; que fazem sucção e drenagem da fortuna do país; será que ainda não pensaram no que acarreta a transferência do dinheiro de uma mão à outra? tal como menciona PETTY, só se preocupando de onde sai o dinheiro e para onde vai; sem se saber com o que o dinheiro, de fato, é gasto (afinal nota fiscal é uma coisa, serviço prestado e bem ou mercadoria entregue é outra.
Estas são atitudes de políticos que não pensam em bem algum (comum ou da nação); e, se importam, apenas, em tentar construir uma história (mesmo que manchada), mas forçada, um conto alegórico de seus partidos, de si mesmos ou do patrimônio construído por suas famílias e / ou por seus colegas de política e obras públicas.

3.2. Zombar, Escarniar e Errar.
A escola empírica de filosofia engendra opiniões mais disformes e monstruosas que a sofística ou racional. As suas teorias não estão baseadas nas noções vulgares (pois estas, ainda que superficiais, são de qualquer maneira universais e, de qualquer forma, se referem a um grande número de fatos), mas na estreiteza de uns poucos e obscuros experimentos. Por isso, uma tal filosofia parece, aos que se exercitaram diariamente nessa sorte de experimentos, contaminando a sua imaginação, mais provável, e mesmo quase certa; mas aos demais apresenta-se como indigna de crédito e vazia. Há na alquimia, nas suas explicações, um notável exemplo do que se acaba de dizer. Em nossos dias, não se encontram muitos destes casos, exceção feita, talvez, à filosofia de Gilbert. Contudo, em relação a tais sistemas filosóficos, não se pode renunciar à cautela. Desde já, previmo-nos e auguramos que quando os homens, conduzidos por nossos conselhos, se voltem de verdade para a experiência, afastando-se das doutrinas sofísticas, pode ocorrer que, devido à impaciência e à precipitação do intelecto, saltem ou mesmo voem às leis gerais e aos princípios das coisas. Um grande perigo, pois, pode advir dessas filosofias e contra ele nos devemos acautelar desde já” (BACON, 1973, p. 39).

Diferentemente dos homens naturais que são corretos e éticos, o ser ético kantiano já é suficiente para um cargo público / político, por sua excelência na compreensão maior da abrangência de seus trabalhos; mas a ética pós-kantiana (O Ser Político), que analisa criteriosamente as possibilidades de suas afirmações e consequência, de fato, é o primor da filosofia para além do século XXI; e mais diferentemente ainda, é o homem do Sarro Puro (análogo a Vontade Pura, a Razão Prática Pura, isto é, as noções de sumo-bem que habitam em cada um dos seres vivos e que acrescentamos, quanto maior a capacidade compreensiva moral destes seres, maior a sua sensibilidade em relação a priori Razão Prática Pura, a vontade - o Sarro é a vontade contrária a vontade pura), ele busca o errar e o escarniar. Claro, há motes frequentes que dizem que cada um deve governar a si mesmo e o que bem entender e puder; todavia, este pensamento não é o mais avançado. Afirma-se que a lógica (e ética e estética) pós-kantiana é de fato a mais apropriada para todos os debates que se vivem depois do século XIX. NIETZSCHE (2000), neste sentido, define o que é Deus e o que a maioria dos homens espera de se achegar a Deus:

“ ‘Deus’, ‘imortalidade da alma’, ‘redenção’, ‘além’, todos estes são conceitos que nunca levei em conta; nunca com eles sacrifiquei o meu tempo, nem mesmo em criança; talvez nunca fosse bastante ingênuo para fazê-lo? Para mim, o ateísmo não é nem uma consequência, nem mesmo um fato novo: existe comigo por instinto. Sou bastante curioso, suficientemente incrédulo, demasiado insolente para contentar-me com resposta tão grosseira. Deus é uma resposta rude, uma indelicadeza contra nós, pensadores” (NIETZSCHE, 2000, p. 50).

Muitos políticos utilizam-se artimanhas mesquinhas para conseguirem seus poderes: eles dizem que são enviados de Deus, os escolhidos pelo povo, os legítimos; mas, porque já não aproveitam que estão se explicando e digam logo: de que deus? De qual povo? E de qual legitimidade - estão eles a falar. O sarro é exatamente isto, são os políticos que afirmam e fazem coisas sem visão filosófica alguma, mas que, em contraparte poderosa, receberam muitos votos, e que vão governando e que conseguem eleger muitos outros com eles... Porém, algumas contas simplesmente não fecham, e tende a ficarem cada vez piores se alguma mudança radical (e possível) não for posta em prática. Enfim, e que mesmo sem saber nada destas coisas todas expostas neste artigo (de sobremaneira nas imprescindíveis citações – de outros autores, sempre -, que dão um grande elemento de à ligação de todas as informações aqui apresentadas); mesmo sem saber nada, tais pessoas são políticas e estão no poder; e se tomam atitudes erradas em seus mandatos eletivos, é a população quem arcará com as responsabilidades destas potenciais situações de "caos" públicos, e os investidores internacionais serão quem não terão interesse em investir no país em questão – apesar de que alguns autores não apreciam tanto assim os mercados de capitais; mesmo assim, acredita-se, sim, que este sistema é muito justo e equilibrado, desde que respeitados os limites naturais já tratados desde BACON e que sejam utilizados sistemas de controles de produção e finanças (investimento), para ter-se tempo hábil de corrigir quaisquer imperfeiçoes, ou erros de planejamento e / ou execução.
Os políticos deveriam evitar o caminho do Sarro Puro: O Zombar, o Escarniar e o Errar. Os políticos deveriam se concentrar mais no Sarro Prático: O Ser Político (3.1), que se inspira em Kant, no mínimo (tal como em Santo Agostinho, Pascoal, etc), para que possa atuar politicamente com o mínimo de responsabilidade social, econômica e humana, inclusive. Mas observa-se que o caminho do Sarro é uma prática comum no Brasil, onde os políticos fazem uma lei, dois anos depois refazem a mesma lei, e então surgem situações de ilegitimidade que passa a ser de legitimidade,  improbidades, que passam a ler legalidades, enfim, e com isto, as pessoas perdem as esperanças, acreditam que nada vai mudar nunca, e a questão do avanço tecnológico (e de gestão) da nação, vão ficando sempre para trás, e estes problemas todos se somam a muitos outros problemas que não se resolvem, porque parece que não há quem os queira resolver; e conclusão: vem a política do corrigir e fazer o que se pode as pressas para corrigir erros antigos e apagar fogueiras novas. Mas sabe-se que o Brasil pode muito mais e que a população deseja muito mais, pessoas capacitadas para isto já se tem, o que falta apenas é que sejam postas em práticas as boas ideias, que certamente há em mentes mais aguçadas e preparadas para este novo século, ao passo que todas as iniciativas já em andamentos, e projetos bem sucedidos, de todas as áreas do saber, em especial de especializações e inovação, que sejam cada vez mais valorizados e incentivados.


4. CORRENTES FILOSÓFICAS

4.1. Sir Francis Bacon (1561 – 1626)
A filosofia de Bacon só ganhou tradução em português na década de 1930 (da cidade do Rio de Janeiro, editora Brasília), a versão de texto de BACON apresentada é da década de 1960, reeditado nos anos 70. “Todos aqueles que ousaram proclamar a natureza como assunto exaurido para o conhecimento, por convicção, por vezo professoral ou por ostentação, infligiramgrande dano tanto à filosofia quanto às ciências” (BACON, 1973, p. 11), é assim que Bacon inicia seu livro Novum Organum(o texto utilizado na fonte da tradução da obra citada nas Referências é latino, estabelecido por J. Spedding, R. L Ellis e D. D. Heath, Londres 1857-74, mas como sabemos, o Novum Organum é mais antigo do que isto, mas as versões atuais iam substituindo as antigas, e etc...); no Novum Organum é onde estão os moldes da construção da nova civilidade que ainda buscamos. E Bacon segue seu raciocínio com aquilo que chamamos a criação da fenomenologia: nenhum saber é absolutamente certo ao se dizer sobre as coisas absolutamente certas do universo, porque é saber humano e não celestial; do mesmo modo, se está no mundo, em uma dada realidade e circunstância e, via de regra, melhor evitar os erráticos revolver da mente inquieta e indomada (BACON, 1973).
Francis Bacon diz ainda de seu método de confiabilidade e demonstrabilidade (que ignora deduções meramente sentimentais, nos rigores científicos), em “nosso método, é tão fácil de ser apresentado quanto difícil de aplicar. Consiste no estabelecer os graus de certeza, determinar o alcance exato dos sentidos e rejeitar, na maior parte dos casos, o labor da mente, [...] promovendo, assim, a nova e certa via da mente” (BACON, 1973, p. 11-12).
E sobre isto, Bacon conclui que Foi, sem dúvida, o que também divisaram os que tanto concederam à dialética 5” (BACON, 1973, p. 12). Ou seja, dependerá de como se concederá ou como será orientada a dialética, as vias de fato, a filosofia, a retórica etc. Os métodos são aprimorados e evoluem, todavia o homem também deve evoluir junto a sua mentalidade para pode usar melhor este conhecimento e técnicas. Esta última frase, é uma conclusão lógica do teor de BACON e NIETZSCHE, certamente.
E por fim, Bacon faz duas advertências sobre o Novum Organum, a primeira “que sejam conservados intactos e sem restrições o respeito e a glória que se votam aos antigos, isso para o bom transcurso de nossos fados e para afastar de nosso espírito contratempos e perturbações” (BACON, 1973, p. 13); isto é, que se respeite a honra que cada ideia teve, ao seu tempo, e que se deva gratidão a isto, inclusive. A primeira advertência é sobre as pessoas e a segunda é sobre a matéria (BACON, 1973). “A filosofia que oferecemos não atenderá, do mesmo modo, a coisas inúteis. Ela não é de pronto acessível, não busca através de noções prévias a anuência do intelecto, nem pretende, pela utilidade ou por seus efeitos, pôr-se ao alcance do comum dos homens” (BACON, 1973, p. 14).
Neste sentido, a evolução do pensamento de BACON para PETTY, se dê neste sentido, Bacon acreditava na habilidade hermética e no dogmatismo do saber (Saber é Poder - BACON), ao passo que PETTY, buscava medidas e argumentos justamente para demonstrar seus raciocínios do bem comum. Bacon não acreditava que o bem poderia estar junto com o comum, justamente porque o comum não tem ciência sobre bem algum; enquanto Petty já defendia que poderiam ser mais bem solucionados os problemas (sociais, tributários, etc) com métodos que permitem correções e alterações; Bacon tinha interesse nos experimentos livres de preconceitos e na descoberta do verdadeiro movimento dos corpos e coisas; já Petty queria que os sistemas servissem para que a economia do Reino da Inglaterra tivesse um melhor andamento. No fundo, ambos queriam auxiliar o processo científico, mas aos seus modos, acabaram por ignorar alguns fatores importantes, enquanto preocupavam-se demais com os resultados que iriam obter; isto, sem prejuízo, de no percurso terem inventados sistemas filosóficos e ciências que são relevantes até hoje século (XXI).

4.2. Sir William Petty (1623 – 1687)
Se BACON propôs a racionalização do Estado em Novum Organum (e ate certo ponto, a criação de uma visão “sustentável”, natural), PETTY, com sua Aritmética Política (e obra, em geral), lançou as sementes daquelas que seriam as raízes da Teoria Econômica. Pautou-se na argumentação com dados de suporte em suas análises, aliás, representatividade e demonstração destas análises inclusive, a seu modo.
Não há dúvida de que com Sir William Petty, embora fosse mercantilista em política econômica, teve-se início uma nova linha de pensamento teórico, que dentro em pouco passaria a predominar. PETTY foi pioneiro em mais de um setor. Fundou a disciplina que traz o título de seu livro, Political Arithmetick, na qual, em vez de confiar na “argumentação intelectual”, ele se volta para o “número, peso e medida” em busca de uma orientação sólida para os governantes do país em todas as questões de política e tributação. Tornou-se assim um dos fundadores da ciência da Estatística. Mas ele estava longe de repudiar a argumentação intelectual; compreendia que era necessário organizar e interpretar os dados estatísticos.[...] PETTY não reconheceu o capital como fator independente na produção, ou o lucro como uma receita acrescida especificamente ao capital; englobou todas as receitas proporcionadas pela propriedade sobre o nome de ‘renda’ (da terra). Da renda da terra derivou ele a taxa de juro, antecipando assim uma tese queTURGOT adotaria. Apesar de sua inadequação lógica, semelhante conceito de renda e juro; tem pelo menos, o mérito de salientar que, quaisquer que sejam as origens diferentes dos dois tipos de rendimentos e investimentos, os proventos de empréstimos e os da terra tendem a equivalerem-se já que o investidor pode retirar o seu dinheiro de qualquer uma delas, e investi-lo em outra; se houver perspectiva de lucro maior. Além disto, PETTY antecipou o conceito de renda diferencial, de RICARDO – o provento da melhoria, obtido pelas terras em virtude de sua proximidade do mercado” (HEIMANN, 1976, p. 46 - 47).

4.3. Immanuel Kant (1724 – 1804)
Nasce em Königsberg (Prússia), em 22 de abril de 1724. Estudava Letras, Filosofia, Matemática, Ciências Naturais, Teologia. Em 1788, em seu segundo ano de reitor de universidade, ele publica A Crítica da Razão Prática. Dez anos depois se tornaria membro da Academia de Ciências, Literatura e Artes de Siena. Em 1800 adoeceu e se debilita. Faleceu em 1804, deixando a metafísica, a ética e a lógica mais fortalecidas e bem protegidas. Mas isto não é tudo sobre Kant, é apenas uma noção.
O presente artigo estuda a Crítica da Razão Prática, que é o 2° Livro da Trilogia das Críticas (da razão Prática, de 1788; e da razão Pura, de 1781; e crítica da faculdade do juízo, de 1790). Semelhante a BACON que teve seu Novum Organum(obra-prima) só traduzido para o português no século XX, a versão apresentada no presente texto é deste ano (2015) e é a 1° versão traduzida de KANT (Crítica da razão Prática) que não foi traduzida de tradução; isto é, a 1° versão que foi buscar na fonte original de KANT o texto a ser traduzido para o Português; o que inclui as anotações originais do autor, e isto é, a versão conhecida como Hand-exemplar Original.
crítica da razão pura significa não, precisamente, uma desaprovação das razões, mas sim, uma análise minuciosa, isto é, uma análise crítica. O autor em absoluto, não deseja atacar a razão pura, mas faz ponderações sobre as limitações desta razão. A razão pura deve indicar o conhecimento que não vem através de nossos sentidos, muito pelo contrário, independe de toda experiência sensorial; e este conhecimento nos pertence graças à inerente estrutura e natureza das nossas mentes. Segundo as palavras de Kant: “A razão pura é por si prática e dá (ao homem) uma lei universal, chamada de lei moral” (KANT, 2015, p. 64).
crítica da razão prática diz que se a religião não pode ser baseada nos preceitos da ciência, porque a priori dela não é o conhecimento, mas sim a moralidade e a ética a transcendentais; e que, muito menos pelo ser baseada na teologia, que tem uma base demasiada insegura, por, por exemplo, voltarem-se demais às paixões e às alegorias mais do que aos experimentos e as demonstrações lógicas. Ora, a mais impressionante realidade de toda nossa experiência é precisamente o nosso senso moral, nosso sentimento inevitável, diante da tentação de que isto ou aquilo está errado. Podemos ceder, mas apesar disto o sentimento ainda estará lá. Ou seja, o empirismo, as demonstrações, a lógica, a estética, e etc devem servir mais as coisas sensíveis e ontológicas, já os modelos mais abstratos, que não se demonstram pelo empirismo; mas sim, que se devem pautar em princípios transcendentais, ou em pensamentos mais palpáveis e que foram convertidos em “a priori do sumo bem”. Há coisas que se experimentam, e outras, que não se põem a prova, jamais.
A lei moral é o único fundamento determinante da vontade pura. Mas já que este (fundamento) é meramente formal (a saber, exige unicamente a forma da máxima como universalmente legislativa), ele, enquanto fundamento determinante, abstrai de toda a matéria, por conseguinte, de todo o objeto do querer. Logo, por mais que o sumo-bem  seja sempre o objeto total de uma razão prática pura, isto é, de uma vontade pura, nem que por isso ele deva ser tomado pelo seu fundamento determinante e a lei moral, unicamente, tem que ser considerada o fundamento para tomar para si como objeto aquele sumo bem e a sua realização ou promoção” (KANT, 2015, p. 143).
Deve-se ressaltar, ainda, a estrutura que KANT usou para escrever a crítica da razão prática, ele dividiu o livro em partes, sendo a I, a parte da analítica dos elementos, das proposições, dos conceitos e objetos, bem como de seus motivos; ainda na parte I, com o segundo livro tem-se a dialética da razão prática pura, isto é o “discurso”, s aplicações, exemplos e modelos de uso da Razão Prática; na segunda parte são explicadas as doutrinas, e têm-se as notas, etc, as referências bibliográficas etc.
Em vez da dedução do princípio supremo da razão prática pura, isto é, da explicação da possibilidade de tal conhecimento a priori, nada mais, porém, podia ser ulteriormente alegado senão que, se se tivesse a presciência (ou perspicácia da ciência) da possibilidade da liberdade de uma causa eficiente; ter-se-ia também a perspicácia-ciência talvez não apenas da possibilidade; mas, inclusive, da necessidade da lei moral, enquanto lei prática suprema entre os entes racionais, aos quais se atribuiu a liberdade da causalidade de sua vontade; pelo fato de que ambos os conceitos estão tão inseparavelmente vinculados, poder-se-ia definir a liberdade prática também pela independência da vontade de toda outra lei, com exceção unicamente da lei moral” (KANT, 2015, p. 127).
Deste modo, a filosofia de KANT pode preparar o homem e a sociedade como um todo, para os avanços de mentalidade que aconteceriam pós-Kant.

4.4. Eduard Heimann (1889 – 1967)
Eduard Heimann foi um grande historiador das doutrinas econômicas; a contribuição dele é muito valiosa para este estudo; e sobre ele, destacam-se três pontos aos quais ele assim trata da questão do problema da ciência econômica:
A ciência econômica é uma das mais jovens ciências sociais. Na verdade, sua história, como conjunto formal de conhecimento econômico, só começa a cerca de 200 anos. Com efeito, as atividades humanas de que a Ciência Econômica se ocupa – a produção, troca e distribuição de bens – ocorreram em todas as épocas: a sociedade não pode prescindir delas. [...] A premissa eterna da vida econômica é a avareza da natureza – inclusive o trabalho humano. A natureza e o trabalho humano não produzem o bastante para a todas as necessidades dos homens. Daí ser o homem forçado a economizar: ele emprega seu trabalho e os recursos da natureza do modo que lhe parece melhor e evita usá-los naquilo que lhe parece menos importante” (HEIMANN, 1976, p. 13).

Quando a abundância real – abundância em relação às necessidades – é realmente alcançada, já não temos, decerto, a necessidade de economizar. [...] A palavra abundância só seria aplicável a condições que poderiam ser realizadas em um país, compreendendo pouco mais de um vigésimo da humanidade, enquanto os outros três quartos ficariam ainda em uma pobreza deplorável. [...] Assistimos, com frequência, a pessoas que desperdiçam seu dinheiro e se arruínam, ou, em outras palavras, que agem sem economia alguma”(HEIMANN, 1976, p. 14).

Mas do ponto de vista dos princípios teóricos, a contribuição mais interessante deu-se ao teórico sueco GUSTAV CASSEL. O preço segundo ele, não é o resultado da procura e da oferta, quais forças do acaso, forças as cegas. Um determinado preço ‘deve’ ser atribuído a uma oferta que seja escassa, a fim de excluir a procura excedente, que não poderá ser atendida por essa oferta. A isso, chamou, ele, de ‘princípio da escassez’, e dele fez a pedra fundamental de seu sistema. Seu approach é francamente normativo e visou à finalidade de substituir o velho método causal e o método funcional-formal, mais recente. A mão invisível torna-se visível. A aplicação à economia socialista se faz explicitamente; mesmo, porém, que nenhuma referência ali se fizesse ao socialismo” (HEIMANN, 1976, p. 217).


CONCLUSÃO
Do que se fala, aqui, mesmo? De sistemas e filosofias, de doutrinas econômicas e metodologias científica? Sim, e o que mais? De evolução de mentalidade e sistemas de produções e oferta e procura? Sim, mas é só? Não, fala-se de condições naturais escassas e vontades humanas ilimitadas, fala sobre a ótica otimista, tal como a ótica pessimista, mas afirmando que mais de deveria impressionar pelas boas e naturais coisas, ao contrário mais de se impressionar pelas coisas absurdas e demasiadamente humanas.
A filosofia forma quadros mentais à mente de quem as estuda (ou aprecia), de fato. Infelizmente, muitos mestres e professores (e doutos e pós-doutorados, uma lástima infinita!) acreditam que no século XXI, tudo sobre o mundo já tenha sido dito (sarcasmo); onde estes mesmos orientadores acreditam que jovens pesquisadores (de qualquer idade) não tenham capacidade de desenvolverem por si próprios os seus raciocínios lógicos e suas teses; e que só devam recorrer a consagrados autores para que seja explicado sobre o assunto a que se debruçam.
Acredita-se que as pessoas saibam das coisas, sim. Todavia, os mais grosseiros e maldosos, por vezes, preferem mais mostrarem suas faces, a fazer referências sobre os bons feitos dos bons e pacientes que sequer são divulgados ou nem, simplesmente, são mencionados.
Além de que, as tentativas de acertos em relação a proposições da filosofia, sempre houve; mas, entende-se que a partir de Bacon, foi proposto um Novo órgão de observação, análise (e controle), e mais o que cabe em cada caso, a fim de melhorar as tratativas filosóficas; estas funções chaves da filosofia foram o almejo de muitos outros filósofos, incluindo os trabalhos, mesmo que em partes equivocados, da Aritmética Política, do sir William Petty; porém, houve, também, por exemplo, com as filosofias de Locke, Hume e Berkeley, uma era um tanto quanto sombria do pensamento, com especulações sobre a realidade, a mente, as coisas, a liberdade, Deus, etc; por isto, a filosofia de Kant é tão importante: ela não só resolve muitos dos enigmas (e até mesmo in - soluções) de seus antecessores filósofos, como, também, lança os alicerces para o desenvolvimento porvir da filosofia de Schopenhauer e Nietzsche, entre outros. Kant afirma que há um limite mesmo para o que se pode fazer, e que mesmo que seja possível fazer todas as coisas que um pessoaqueira, hipoteticamente, não é conveniente que esta pessoa faça todas essas coisas; porque tudo aquilo que extrapola os limites, acarreta grandes distúrbios, complicações, e maiores problemas, ainda, que deverão ser resolvidos; assim, dentro do limite transcendental, manter-se comedido e atento as imutáveis e eternas leis éticas e empíricas bem realizadas, a priori, o além-homem, o sumo-bem, quase sempre, isto, mesmo, apenas e por si só, basta e é a sua própria medida: o pós-kantianismo, o saber estipulado e considerado sobre todas as óticas possíveis, da especialista (a Pura), até a generalista (a Prática), passando pela experiência in loco (empírica, analítica, retórica, dissertativa-argumentativa, vias de fato, etc), pelas análises, pelas conversações e comunicações, e, pela formação de axiomas precisos e atemporais que carreguem a priori de sua ideia, em um sentido puro prático. Talvez, apenas talvez, apenas especulação; a filosofia de Kant seja tão impressionante que para se usá-la é necessário antes considerar a linguagem usada por Kant (e isto é proposital dele, por ele considera-la, a melhor e mais adequada forma de expressar estas ideias); e que talvez seja que para falar de Kant é necessário antes saber seus termos e filosofia, e isto, por si só, já é filosofar.
Assim, não há distinção alguma entre os homens, exceção de suas próprias capacidades e experiências empíricas ou experiências com as fenomenologias, além das diferenças que se impõem os cargos e as funções; mas em todos os maiores poderes, maiores são as responsabilidades, e maiores são os compromissos e as noções éticas que se exigem; e mais do que se exigem, deve, a todo custo, serem postas em prática, e a prova de quem ainda ousar duvidar do poder que tais filosofias têm.


REFERÊNCIAS

BACON, Francis. Novum Organum ou Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza. Tradução e notas de José Aluysio Reis de Andrade.  In Os Pensadores XIII. São Paulo: Abril Cultural, 1973. Edição traduzida de versão fac-similar de Friedrich FrommanVerlag Gunther Holzboog, Stuttgart-BadConnstatt (1963).

HEIMANN, Eduard. Histórias das Doutrinas Econômicas: Uma Introdução à Teoria Econômica. Tradução de Waltensir Dutra; Revisão por Cassio Fonseca. 3° Edição. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1976. Título Original da obra em inglês HistoricOf Economic DoctrinesAn Introduction to Economic Theory (1945)

KANT, Immanuel. A crítica da Razão Prática. Tradução de Valério Rohden. São Paulo: Folha de São Paulo, 2015. Título Original da obra em alemão Kritik der Praktischen Vernunft (1° edição de 1788), a conhecida Handexemplar do autor - onde KANT fez anotações na 1° publicação impressa da obra.

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. Tradução de Alex Martins. 4° Edição. São Paulo: Martin Claret, 2010. Título Original da obra em alemão Also Sprach Zarathustra (1883-1898).

______. Ecce Homo: Como cheguei a ser o que sou. Tradução de Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2000.

PETTY, William; Obras Econômicas - Aritmética Política; apresentação de Roberto Campos; traduções de Luiz Henrique Lopes dos Santos e Paulo de Almeida. In Os Economistas. São Paulo: Abril Cultural, 1983. Título Original da obra em inglêsPolitical Arithmetick (1690).



Notas

1 – Nota do Autor (N.A.): “6 - Mas uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo. 7 - Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente”(Gênesis, 2: 6-7 – Bíblia Sagrada Cristã).

2 – N. A.: NIETZSCHE, O Homem Superado, V: “ ‘O homem é mau’. Assim falavam uns aos outros sábios para consolo meu. Ai! Se isto fosse verdade ainda hoje! Que o mal é a melhor força do homem. ‘O homem deve-se fazer melhor e pior’. É isso o que eu aconselho, pela minha parte! O maior mal é necessário para o maior bem do homem superado” (NIETZSCHE, 2010, p. 240).

3 – N. A.: Considera (mesmo que a filosofia seja uma mitologia, uma persona cosmológica) que o homem tenha criado ou descoberto a possibilidade de coexistência com a filosofia. Sobre este aspecto, eis as principais correntes filosóficas utilizadas no texto: acatalepsia (impossibilidade de compreender, uma debilidade mental, dano mental, etc), que é o erro ou  falha no processo de comunicação / filosofar; Normalidade, a normalidade é uma curva estatística, e geralmente, esta corrente não se interesse por nada mais que não seja tátil ou mensurável; Sofismo (a filosofia dos logrados e dos logros, mas que tem o seu encanto, como o ouro de tolo, são os raciocínios incorretos, mas pomposos, uma figura de linguagem – como uma falácia – usada para enganar ou confundir), afirma que o saber não alcança todas as áreas e possibilidades; Retórica (a arte de falar, de comunicar-se e também, de passar as horas); Silogismo (A+B = C: Sócrates é homem [A], o homem é animal [B]  racional, Sócrates é um Animal racional[C]); Dialética (a arte de raciocinar logicamente); Dedução Lógica, outras formas de dialética e ciências, como a matemática, geometria, trigonometria, etc; Vias de fato, Estatística e argumentação lógica, empirismo, pós-kantianismo e fenomenologia. A maioria destes termos é explicada ao longo da evolução do texto.

4 – Nota de BACON: Heráclito, fragmento 2 (n° de Diels): “Por isso convém que se siga a universal (razão, logos), quer dizer, a (razão) comum: uma vez que o universal é o comum. Mas embora essa razão seja universal, a maioria vive como se tivesse uma inteligência absolutamente pessoal”.

5 – Nota de BACON: Usada no sentido escolástico, uma das partes do Trivium, equivalente à lógica formal e, mais tecnicamente, como sinônimo de método dedutivo. Em algumas passagens toma um sentido pejorativo, já usado por Aristóteles, de exercício inócuo.